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HOJERIZAH

Quando o Hojerizah apareceu na mídia, com aqueles vocais incomuns de Toni e as letras inteligentes e subjetivas de Flávio, era óbvio que algo de novo estava acontecendo. Ao ouvir o nome Hojerizah e depois ouvir a música da banda, a pessoa entende o porquê do nome. As letras e as músicas simplesmente eram diferentes de tudo que se conhecia neste país. Elas conduziam a reflexões, emoções, explicações de questões tão presentes no cotidiano mas tão desprezadas pelas pessoas. Além disso, estas letras demonstram uma verdadeira aversão aos valores e às atitudes das pessoas no dia a dia. "Caminham em bandos guiados pelo acorde monocórdico de uma lei que está oculta mas todos obedecem", diz a letra de pessoas.

Identificar-se com as letras do guitarrista Flávio Murrah é quase inevitável. Ele aborda questões como a traição, a solidão, a paixão pela solidão. É como se ele tocasse, através de suas letras, em pontos fracos das pessoas, abrindo-lhes uma porta que antes, não se sabe por que motivo, insistia em permanecer fechada.

Eis o encanto do Hojerizah, e o porquê da saudade que ele deixou em todos os seus fãs. Toni, Flávio, Marcelo e Álvaro pareciam ter surgido apenas para cumprir uma missão, e o fizeram muito bem. Estive lendo uma entrevista do hojerizah, em que os integrantes da banda contavam que se impressionaram ao ver que no seu último show, em 1999, uma garotinha que assistia ao espetáculo chorava o tempo inteiro, tamanha emoção com as músicas. Ao fim do show, a mãe da garotinha os procurou para pedir autógrafos.

É realmente impressionante o poder de emoção que tem o Hojerizah. Basta ouvir a banda para compreender. Eles conseguem fazer da música mais do que tudo uma arte. Jogam com instrumentais melancólicos e letras reflexivas, que levam as pessoas ao ápice de seus sentimentos.

"Você que cospe a confissão e chora o delírio da vida", dizia Tempo que passa. "Tanto fez, tanto faz, um vento bate em minha janela e o silêncio sorri para mim" rebate Tempestade em Viena, mostrando todo o poder das letras do Hojerizah.

O único ponto triste desta história é o final da banda, que apesar do público fiel, sempre enfrentou muita dificuldade com questões como divulgação. Talvez a mídia não estivesse preparada para conhecer o Hojerizah. Nosso país, infelizmente, ainda precisa de uma cultura real e forte, e o Hojeriza, assim como Uns e Outros, Zero e Violeta de Outono vieram para fortalecer esta cultura e nos mostrar que boa música se faz aqui, sim...

 

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